|
Era uma vez um peixe que alegremente descia o rio, até que de dentro de suas entranhas uma irresistível vontade de subir o rio apareceu. Que estupidez! Pensou. Como um peixe experiente como eu poderia querer nadar contra a correnteza? Claro! Isto não tem sentido. Porém contrariando os argumentos da razão a vontade não cessou, ao contrário aumentava dia a dia, até que um dia encontrou a borboleta sua amiga na beira do rio e contou a sua aflição à amiga que lhe disse: - Meu amigo eu vôo de um lado a outro, para frente e para trás, para baixo e para cima sem qualquer dificuldade. Eu faço isto porque escolho sempre o caminho de menor resistência. Até porque a menor distância entre dois pontos não é necessariamente uma linha reta, mas sempre o caminho de menor resistência. Claro! O peixe agradeceu e refletiu: - O que estou fazendo, resistindo à correnteza. Tenho que me deixar levar pelo rio. E assim fez e passou a nadar feliz e tranqüilo, por alguns dias... - Não sei se posso te ajudar mais quando eu tenho algum problema observo a grande mãe natureza e quase sempre ela me dá a resposta. Claro! Ali estava a solução, não era natural um peixe querer lutar contra o rio. Com isto acalmou-se e passou a nadar com tranqüilidade, por alguns dias... Contrariando toda a lógica, a vontade de enfrentar o rio aumentava mais e mais. Já quase em desespero encontrou a coruja, um dos animais mais sábios da floresta. Contou seu drama e o que tinha dito os outros dois amigos. A coruja refletiu e disse: - Os dois tem razão. O que a borboleta te disse é uma pérola da sabedoria: A menor distância entre dois pontos é o caminho de menor resistência. Vide o raio ou o rio em que você vive. E o que o coelho te disse é o óbvio: A mãe natureza tudo sabe. Agora o que o coelho esqueceu de te dizer é que existem no mínimo duas naturezas: a externa que comanda as chuvas, os ventos e as marés e a natureza interna que neste momento está gritando para que você suba o rio. Por mais absurdo que pareça, agora o caminho de menor resistência é subir o rio. O peixe não pensou duas vezes. Deu meia volta e começou a nadar, nadar sem parar, até que encontrou uma enorme cachoeira e sentiu uma profunda e genuína vontade de subi-la. Não!! Nadar contra a correnteza ainda vá lá, mas voar não, isto é para os pássaros, mas lembrou-se dos conselhos da coruja, tomou fôlego e saltou voando. Com muito esforço foi galgando cada etapa e percebeu que existiam outros peixes como ele fazendo a mesma coisa e pensou: - Que bom não sou só eu, então não estou louco. Como lhe sobrava entusiasmo logo chegou ao topo da cachoeira. Ali viu um peixe mais velho que lhe parecia bem experiente e perguntou: - Meu senhor que piração é esta? O Peixe senhor calmamente lhe disse: - isto não é uma piração é uma piracema. Escolha uma fêmea que te agrade fecunde os ovos que ela colocar e então perpetue a sua espécie. As vezes mesmo que aparentemente estejamos fazendo loucuras o melhor caminho e o de menor resistência é seguir a natureza interna. Seja feliz.
| |